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domingo, 6 de março de 2016

REVIEW: Toma Lá, Da Cá - "A Mais Bela Casada" (1X02)

"A Mais Bela Casada" é o segundo episódio da série Toma Lá, Da Cá, e foi exibido pela Rede Globo em 14 de agosto de 2007. Após ter as suas personagens apresentadas no episódio anterior, os roteiristas partem direto para explorar algumas das facetas de todo do elenco. O episódio é focado em um concurso de beleza que anima as mulheres do Jambalaya, mas acaba causando mais confusões do que o esperado.

O texto a seguir, contêm um estratosférico número de SPOILERS.


O episódio começa com Rita (Marisa Orth) e Arnaldo (Diogo Vilela) em um momento íntimo, mas as coisas desandam quando o dentista perde o vigor por culpa de preocupações relacionadas ao trabalho. No apartamento ao lado, Celinha (Adriana Esteves) e Mário Jorge (Miguel Falabella) estão muito animados, já que Mário está tomando uma suspeita pílula que Copélia (Arlete Salles) está contrabandeando para o condomínio. Rita está subindo pelas paredes de estresse, e Isadora (Fernanda Souza) e Tatalo (George Sauma) chegam a conclusão de que isso é resultado da pacata vida sexual de seus pais. 
Quando Arnaldo e Mário Jorge estão discutindo os acontecimentos de suas vidas no corredor, a lasciva Marli Matoso (Maria Padilha) os convoca para votarem nela, já que a funkeira está concorrendo no concurso A Mais Bela Casada 2007, organizado por Dona Álvara (Stella Miranda). Contudo, Bozena (Alessandra Maestrini) comunica que inscreveu Celinha e Rita no concurso sem o conhecimento delas. Após ficar sabendo da candidatura das duas, Álvara resolve ir deixar claro que já possui uma favorita, afirmando que está apostando, e tramando, alto em Marli. Como forma de diminuir Rita e Celinha, a síndica resolve formar um grupo de 3 para uma sessão fotográfica, e justamente as integra ao grupo da funkeira. Quando Celinha tenta comunicar ao seu marido que ela está concorrendo no concurso, fica furiosa em saber que Mário também estava apostando em Marli. O marido não esconde que ela e Rita não possuem chance alguma contra a loira do funk, causando ainda mais a ira da esposa. Quando Rita descobre que Arnaldo também têm a intenção de votar na funkeira, acaba se descontrolando e descontando a raiva em um cliente, em uma cena hilária. Arnaldo também não esconde que não coloca fé em sua esposa no concurso. Álvara chega acompanhada de Marli para a sessão de fotos no apartamento de Rita, e o desenrolar da cena é comandado pela ótima atuação de Marisa Orth. Já a atuação de Maria Padilha é opaca, estereotipada e quase forçada, não deixando a personagem ter um desenvolvimento, mesmo que para um único episódio. Com Rita ainda mais estressada, ela ordena que Arnaldo compre as pílulas milagrosas que Copélia está vendendo para que o marido tenha novamente um interesse sexual.
Celinha e Rita se vestem com maestria, mas não percebem que as demais concorrentes do concurso não estão preocupadas com as roupas, e sim com a falta delas. Adônis (Daniel Torres) resolve ajudar na divulgação da candidatura de sua mãe no concurso, e envia uma foto de quando Celinha era mais jovem para todos os condôminos. Após tomar a pílula que desperta o apetite sexual, Arnaldo entra em ebulição e tenta convencer Rita a tirar o atraso. Como ela está toda arrumada para o concurso, acaba recusando, em outra hilária cena. Copélia tenta sabotar o concurso, cortando as alças do vestido de Marli, mas isso acabou resultando na esmagadora vitória da funkeira. Com a derrota, Celinha, Mário Jorge, Rita e Arnaldo voltam desanimados para seus apartamentos. Ao final do episódio, Rita finalmente se entrega ao recém adquirido, e insaciável, desejo de seu marido.
Talvez o que mais tenha feito falta no desenvolvimento do episódio, foi não terem mostrado o esperado concurso, apenas fazendo com que os personagens debatessem sobre os seus acontecimentos. Esse tipo de ocultação de importantes eventos dos episódios acabaria se tornando recorrente na série, mas em algumas vezes o método funciona, em outra acaba prejudicando a trama. A direção de Mauro Mendonça Filho deixa um pouco a desejar, mas o roteiro comandado pelo próprio Falabella em parceria com Maria Carmem Barbosa consegue se manter firme, embora este seja inferior ao primeiro episódio.



NOTA
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10


Episódio exibido originalmente em 14 de agosto de 2007, pela Rede Globo.
Dirigido por; Mauro Mendonça Filho.
Escrito por; Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa.



domingo, 24 de janeiro de 2016

REVIEW: Toma Lá, Dá Cá - "O Dia Em Que a Terra Tremeu" (1X01)

Quase 2 anos após a exibição do especial de final de ano, também conhecido como o episódio piloto da série, Toma Lá, Dá Cá ganha o primeiro de uma temporada completa encomendada pela TV Globo. A série teve inicio na noite de 7 de agosto de 2007, e como o episódio piloto, também foi muito bem aceito pela audiência e pela crítica. Como a maioria dos personagens já haviam sido apresentados no episódio piloto, com exceção de Copélia (interpretada de forma divina por Arlete Salles), o roteiro pôde partir direto para o desenvolvimento da trama, sem precisar ficar justificando o que cada um faz em meio aos acontecimentos.

O texto a seguir, contêm um estratosférico número de SPOILERS.

   
O episódio começa com Mário Jorge (Miguel Falabella) e Celinha (Adriana Esteves) assistindo um filme pornográfico para esquentar a relação, mas Mário fica espantado com as habilidades da atriz e perde o foco. No apartamento do outro lado do hall, Rita (Marisa Orth) também está tentando apimentar a relação, mas seu esposo Arnaldo (Diogo Vilela) se mostra preocupado apenas com a dentadura que implantará em um Deputado no dia seguinte. Em seus primeiros momentos na pele de Rita, Marisa Orth demonstra que nasceu papa o papel, e apaga totalmente a imagem da personagem que fora interpretada por Débora Bloch no episódio piloto. 
O casal é interrompido por uma briga entre Isadora (Fernanda Souza) e Tatalo (George Sauma), fazendo com que a  mãe se estresse e vá buscar a ajuda do pai dos meninos, Mário Jorge. Uma boa sacada do roteiro, foi deixar claro que quase dois anos haviam realmente se passado entre o episódio piloto e o primeiro da temporada regular, não tentando deixar os filhos dos casais presos às suas idades de 2005, e acompanhando o desenvolvimento do elenco jovem. A personagem de Isadora, que fora interpretada no piloto por Mitzi Evelyn, também ganha uma nova versão nas mãos de Fernanda, apagando a imagem que tínhamos daquela garota de cabelos coloridos. Fernanda elevou as características que o roteiro exigia de Isadora, tornando-a uma das melhores personagens da série. 
Celinha recebe uma ligação de sua mãe, Copélia, e fica sabendo que o apartamento dela sofreu um terrível incêndio e agora precisará passar um tempo no apartamento de sua filha. Arnaldo adverte o restante da família sobre como Copélia é perigosa, uma "calamidade", como definida por Rita. A mãe de Celinha já chega causando com uma roupa chamativa, maquiagem extrema e cheia de malas com bebidas, que foram as únicas coisas que ela conseguiu salvar no incêndio em seu apartamento. Arlete faz um trabalho fantástico como a personagem, e acabaria se tornando a mais famosa de toda a série. Copélia não admite ser tratada como "avó", e pede para ser chamada por "parenta", e para completar possui uma personalidade forte, repleta de malícias. Adônis (Daniel Torres) que no piloto já mostrava que era uma criança bem inteligente, aqui deixa claro que além de estranho, está se tornando um adolescente culto, e que por vezes, não e encaixa na "promiscuidade" em que as famílias vivem.


Bozena (Alessandra Maestrini) comunica aos casais que encontrou uma planta escondida no armário de Tatalo, e todos começam a suspeitar que seja algo ilícito. A planta que possui até nome, Chewbacca, tinha até iluminação artificial, o que reforça a ideia de que fosse algo além do normal. Arnaldo entra em desespero quando percebe que Isadora usurpou a dentadura que ele implantaria no Deputado Marreta (Otávio Augusto), e fica ainda mais desesperado quando o próprio chega ao apartamento da família exigindo receber o implante. A atuação de Otávio Augusto é opaca e chega a ser irritante na maior parte do tempo, sendo suprida várias vezes por outros personagens. 
Para evitar que o Deputado veja a Chewbacca, Copélia fica responsável por escondê-la. Contudo, todos acabam descobrindo que a planta faz parte de um projeto de biologia em que Tatalo auxiliava seu professor. Após insistir em ter sua dentadura colocada, o Deputado aceita tomar um suspeito chá oferecido por Copélia antes de partir para o Senado. Ao final do episódio, Celinha e Mário Jorge descobrem que Adônis estava assistindo ao filme pornográfico (chamado de "documentário animal") do início do episódio, e que a estrela do filme é uma velha amiga de Copélia. Quando o telejornal nacional começa, Arnaldo e Rita acabam ficando boquiabertos ao verem o Deputado promovendo o caos dentro do Senado, já que tinha bebido o chá feito da Chewbacca, que por sua vez era uma forte planta alucinógena. Esta é a única cena em que a atuação de Otávio fica realmente interessante, e combina com o restante do espírito da série. 
Como o episódio inicial da temporada, ele cumpre bem o seu papel em desenvolver a trama sem jogar informações demais aos telespectadores. A direção de Mauro Mendonça Filho é bem executada, mas é o trabalho de interpretação do elenco que dá todo o charme final para o episódio. 


NOTA 
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10



Episódio exibido originalmente em 7 de agosto de 2007, pela Rede Globo.
Dirigido por: Mauro Mendonça Filho.
Escrito por: Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa.


domingo, 17 de janeiro de 2016

REVIEW: Toma Lá, Dá Cá - "Piloto" (especial de final de ano)

Na noite de 29 de dezembro de 2005, a Rede Globo exibia um especial de final de ano chamado Toma Lá, Dá Cá. O especial foi concedido para ser um termômetro para uma possível nova sitcom que a emissora pretendia desenvolver. O roteiro ficou a cargo dos brilhantes Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, que já tinham roteirizado a aclamada sitcom Sai de Baixo (também exibida pela Rede Globo), e caso fosse bem aceito pelos telespectadores, entraria na grade de programação do canal em 2006.

O texto a seguir, contêm um estratosférico número de SPOILERS.

O especial contava com nomes de peso da teledramaturgia brasileira; Adriana Esteves (Celinha), Diogo Vilela (Arnaldo), Débora Bloch (Rita), Alessandra Maestrini (Bozena), além do próprio Falabella (Mário Jorge). Também foi composto pelos até então novatos Mitzi Evelyn (Isadora), George Sauma (Tatalo) e Daniel Torres (Adônis). Não deu outra. Os telespectadores adoraram, e segundo dados divulgados na época, a audiência registrada pelo especial foi de 34 pontos no Ibope. Após a estréia triunfal, a emissora não demorou à garantir uma temporada completa em sua grade de programação, contudo, ela foi adiantada para a temporada de 2007 (na época a atriz Adriana Esteves estava grávida, impossibilitando as gravações dos episódios semanais).




O começo tímido, porém ousado (com palavrões já no piloto), já deixava claro a linha que a série desenvolveria. Em suas primeiras aparições, as personagens criadas por Falabella já conquistam logo de cara o telespectador. A abertura do especial (mostrando fotos de diversas fases do passado dos casais) é bem diferente da que seria usada na série, mas bem mais chamativa.
A trama é ambientada no condomínio Jambalaya Ocean Drive, que é situado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Celinha atualmente é casada com Mário Jorge, e Rita é casada com Arnaldo. Porém, Celinha já foi casada com Arnaldo, e Rita com Mário Jorge. Como se não bastasse a confusão de casais (que todos afirmam ter sido apenas coincidência), eles moram no mesmo andar, um apartamento de frente ao outro. Os filhos dos casais; Adônis (filho de Celinha e Arnaldo), e Isadora e Tatalo (filhos de Rita e Mário Jorge) também fazem parte da trama, tornando a vida dos pais um verdadeiro caos já no episódio piloto. Adônis é muito inteligente para um garoto de sua idade, mas isso não impediu de ser rotulado como "esquisito" pelos demais. Isadora é a menina rebelde, e Tatalo o rapaz bobão que vive se metendo em trapalhadas. As famílias ainda contam com os serviços da empregada doméstica Bozena, uma paranaense de Pato Branco que possuí uma língua solta e que rouba (e continuaria roubando) a cena.
A narrativa começa com uma Isadora desaparecida na madrugada, que causa um rebuliço nos casais. A personalidade da personagem sofreria uma vaga mudança na série, além de sua atriz intérprete. No especial, o papel ficou com Mitzi Evelyn, que pouco deixou no histórico da personagem, facilitando para que Fernanda Souza pudesse desenvolvê-lo de uma melhor forma ao assumir o papel.
O interessante, é notar que em momento algum o especial se apressa em resolver os arcos de cada personagem, apenas se dando ao trabalho de nos apresentar ao passado das famílias, para que o presente seja entendido de uma melhor forma. Sabemos por exemplo, que Rita e Mário Jorge eram corretores de imóveis parceiros, mas após o divórcio, se tornaram rivais nos negócios. A desenvoltura dos casais é o ponto forte do especial, já deixando definidas as suas personalidades; Mário Jorge é o folgado, Celinha é a mãezona, Arnaldo o ansioso e Rita a estressada. No especial, Rita foi interpretada pela atriz Débora Bloch, mas devido a sua agenda teatral, não poderia retornar para uma série fixa. Dessa forma, Falabella convidou Marisa Orth (antiga companheira de trabalho em Sai de Baixo) para assumir o papel na série (que foi uma acertadíssima escolha).




Como o especial foca em nos apresentar as personagens, o grande movedor da trama é a festa de réveillon que se aproxima. Celinha se mostra preocupada em oferecer um ótimo jantar para a festa, enquanto Rita encomenda todas as comidas já prontas, atitude que não daria um bom resultado no final...
Arnaldo estra em pânico ao saber que está tomando uma medicação suspeita feita à base de ovos de uma lagarta das Filipinas, e acaba contando para Mário Jorge que ele também está "participando" desse método há algum tempo. Bozena tenta fazer com que suas simpatias resultem na "volta do seu amor em 3 dias", além de estar preocupada com a sua participação na encenação da típica peça paranaense d'A Gralha Azul. A narrativa peca um pouco apenas com o elenco juvenil, fazendo com que seus personagens aparentem estar perdidos em meio às cenas dos adultos (talvez com exceção de Adônis e seu problema com a entrada na puberdade), mas também é de se esperar que com um elenco estelar como foco principal, acabe tornando o núcleo jovem bem menos participativo (pelo menos no especial).
Foi assim que de uma forma simples, que em menos de uma hora o especial conquistou não apenas a audiência, como também o interesse da Rede Globo em fixá-lo em sua grade de programação. Miguel talvez não sabia, ou fazia apenas uma vaga ideia, de que ali nascia um dos melhores e mais marcantes humorísticos (se não o melhor) da TV brasileira de todos os tempos.



NOTA DO EPISÓDIO
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10



Episódio exibido originalmente em 29 de dezembro de 2005, pela Rede Globo.
Dirigido por Roberto Talma.
Escrito por Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa.